ThoughtWorks 6 Meses Depois

Desde Janeiro estou trabalhando como consultor na ThoughtWorks, no “prédio novo” do TecnoPUC. Posso afirmar com plena convicção que estou muito feliz de ter tomado essa decisão e, por isso, resolvi que seria legal compartilhar um pouco de como é o nosso dia-a-dia lá dentro.

A primeira impressão ao entrar no escritório é de que algo ali é diferente das empresas de TI tradicionais. Não há baias, apenas grandes mesas sem divisórias. Pessoas trabalhando em pares, ou seja, dois para cada computador, NERF darts pelo chão, video-games no lounge e pessoas falando alto.

A ThoughtWorks é conhecida mundialmente por ser uma das pioneiras na prática de metodologias ágeis. Isto faz com que ela tenha uma cultura à parte, que incentiva a colaboração e entrega de alto valor agregado. A empresa tem uma missão um tanto quanto ousada: “Revolucionar a TI”. Para tal, possui um modelo de três pilares que descrevem os seus principais propósitos: Sustainable Business (negócio sustentável), Software Excellence (excelência em software)  e Social Justice (justiça social). Os dois primeiros são totalmente esperados para uma empresa de TI, entretanto, justiça social é um valor que poucas empresas valorizam tanto quanto a ThoughtWorks. Isto faz com que procuremos antender apenas clientes que se alinhem com o nosso perfil, evitando fazer negócios com aquelas que vão de encontro com estes valores.

Entretanto, o que mais me chamou a atenção lá foi a autonomia que é dada a cada funcionário. Em primeiro lugar, não há uma hierarquia definida e nem um conceito de “chefe”. Cada um exerce seu papel e é exigido de acordo com o que é esperado dele. Caso você não esteja satisfeito com alguma coisa, você tem toda a liberdade para propor uma sugestão ou conversar com seus colegas para tentar identificar problemas e propor soluções. Essa é uma característica bastante única na minha opinião e foi a que levei mais tempo para assimilar completamente. Por estes motivos, não é raro ouvir pessoas falando que é necessário “desconstruir” para então “reconstruir” vários conceitos quando se entra na empresa, quase como uma lavagem cerebral. :)

O processo seletivo da ThoughtWorks é bastante completo, exigente e extensivo. A empresa se propõe a ser um lugar para as mentes mais brilhantes naquilo que fazem. Por isso, costuma-se dizer que ser um Thoughtworker não é para qualquer um. São testadas várias características do candidato, desde valores e perfil até capacidade de raciocínio lógico e habilidades como programador. São várias etapas classificatórias e eliminatórias. O processo todo não costuma levar menos de um mês por candidato, conversando com cerca de 10 pessoas no total. Apesar de difícil, não é impossível, afinal, eu consegui. :)

A TW também é uma empresa global por natureza. Com diversos escritórios pelo mundo todo, a rotação entre países é incentivada. Com isso, é muito comum termos muitos Thoughtworkers viajando entre escritórios e trabalhando nos clientes. Durante qualquer período do ano, temos pelo menos 10% de expats (TWers que vieram de outros países) no escritório da TW Brazil. Lá dentro, a língua oficial é o Inglês. O Leonardo Borges, que trabalha na TW Austrália e escreveu sobre as experiências dele, não me deixa mentir! Nenhum escritório tem mais de aproximadamente 150 funcionários. Quando ele atinge este limite, geralmente ele pára de crescer e procura-se outro lugar para abrir um novo. O motivo disto é muito simples: Depois de uma certa quantidade de pessoas dentro de um escritório, acaba se tornando muito difícil de conhecer todo mundo e de se manter um relacionamento estreito entre as pessoas. Por isso, existe este limite que procura garantir a identidade da empresa e a interação entre as pessoas.

Com esse post, espero ter passado uma noção de como funciona nosso dia-a-dia na TW e ter mostrado como ela é uma empresa realmente diferente. Para quem já trabalhou em uma startup ou uma empresa bem pequena (menos de uns 20 funcionários, por exemplo), vai se sentir em casa lá dentro, pois, apesar de ter mais de 1600 funcionários no mundo todo, a TW parece continuar mantendo as boas características de startups de tecnologia onde tudo é flexível e se trabalha com prazer. :)

Se você curtiu a TW, é apaixonado pelo que faz e gostaria trabalhar conosco, não deixe de entrar em contato. Afinal, estamos contratando. :D